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Je m'appelle Agneta

Atualizado: há 3 dias

©2009 Vilma Machado
©2009 Vilma Machado

Uma alegria quando nos deparamos com algo que traz, com tanta sensibilidade e beleza, questões que atravessam há anos o núcleo de uma investigação que acompanha meu trabalho: tempo, escuta e espaço.

Ontem assisti ao filme Je m'appelle Agneta.

Um filme delicado que trata de realidades profundamente humanas e que nos toca porque, em algum momento de nosso percurso, reconhecemos algo de nós mesmos naquilo que ele coloca diante de nós. O desconforto de tentar corresponder às expectativas do outro, do espaço, do entorno. Universos inteiros criados para sustentar aquilo que ainda não sabemos nomear, compreender ou enfrentar, mas também para nos proteger.

O filme nos lembra que aquilo que chamamos de realidade nem sempre é compartilhado da mesma forma. O que para alguns parece absurdo, exagero ou loucura, para outros é simplesmente o mundo tal como é vivido. Muitas vezes chamamos de loucura aquilo que não compreendemos. Outras vezes chamamos de normalidade aquilo que aprendemos a repetir sem jamais questionar.

Mesmo sendo uma obra de ficção, ele toca novamente em algo que meu trabalho insiste em afirmar: a possibilidade de que a escuta altere um destino. Não porque resolva a vida, elimine a dor ou apague perdas, mas porque permanece. Permanece até que o tempo se torne suficiente para que algo possa finalmente ser visto.

Escutar não elimina os conflitos da existência. Mas a escuta, somada ao tempo, cria espaço. E nesse espaço podem surgir as condições necessárias para olhar, reconhecer e escolher. Talvez seja justamente aí que novos caminhos se tornam possíveis.


 
 
 

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